sábado, agosto 28, 2004

Diário de um Prisioneiro...

Dedicado aos 2 jornalistas italianos apanhados por terroristas iraquianos...

Mais um dia... creio eu!... faz tempo que não vejo a luz do dia e que vivo acompanhado por pequenos bichos rastejantes.
Sinto-me fraco, e o que me liga à vida são apenas as memórias do meu passado.
A escuridão absorveu-me quase todas as energias... uma refeição decente?... já não sei o que isso é! Uma mistela de papa, da qual não sei o conteúdo é o que me dão por uma ranhura da porta metálica que me enclausura.
Fui raptado e vivo agora num curto espaço de 3/2 metros sem qualquer janela para me sossegar o espírito.
A língua é a maior dificuldade, por vezes... entram aqui aos berros e batem-me sem que nada tenha feito, e eu contínuo sem perceber o que eles dizem ou o que eles querem.
Ser prisioneiro, é o desligar de todas as coisas...
Eu não sei o que me irão fazer ou se voltarei a ver a minha família. Apenas sei que tudo irei fazer para permanecer vivo até ao dia em que decidirem pôr termo à minha vida.
O sofrimento, a angústia, o cansaço e o desespero tornam os meus dias mais difíceis, mas continuarei a lutar por um dia melhor e onde possa de novo voltar a sentir o cheiro da liberdade junto daqueles que me amam e sempre estiveram ao meu lado...

Muras

sexta-feira, agosto 20, 2004

Um sonho na praia..

Num dia replandescente de sol, com as ondas a ecôar ao longe, adormeci numa linda praia algarvia...

Dei por mim a navegar em pleno alto mar, com meu veleiro albino rumando aos mares do Oriente.
As estrelas iluminavam o meu caminho e o mar prateado reluzia como se aquela imensidão me pertencesse. Desci ao convés, e olhei-me ao espelho...estava mais velho e com barba por fazer, trazendo no bolso um cachimbo artesanal que eu comprara em terras longínquas.
Sou um velho lobo do mar - pensei... Navego, por minha honra e sem qualquer rumo prometido, e onde quer que me sinta bem, será sempre a minha casa.
Não busco a minha própria fortuna, mas a felicidade abunda no meu coração. Porque faço o que sempre quiz e o que sempre sonhei ser!
A vida é assim, e são as pequenas coisas que nos preenchem. Só temos que ser nós próprios!
A calmaria daquela noite era o meu conforto, subi de novo lá acima, agarrei nas grossas cordas e puxei as velas para apanharem o bom vento!
Desta vez, visitaria os povos orientais, iria aprender a sua cultura secular e expanderia os meus conhecimentos, porque a vida é uma constante aprendizagem...

Nisto...acordei! Continuava a ouvir a calmaria das ondas, contudo a água salgada..e fria..tinha atingido os meus pés!
Ora bolas - pensei...porque a realidade em que vivo, é bem diferente!

Muras

sábado, agosto 14, 2004

Tu...sabes quem és!

Para uma amiga especial...

Conheci-te faz tempo, embora nunca tenha tido a graça de realmente te conhecer, na altura!
A vida dá voltas e aprendemos muito com ela, sem dúvida...
No meu sentido desorientado e atribulado dei por mim à deriva no vasto mundo do "Ius" onde um dia destes nos cruzámos. Entre trocas de palavras e afins, fui-te conhecendo ao longo deste tempo passado.
Decerto verifiquei que serias alguém especial, uma pessoa que luta pelo que quer e que conquista as suas vitórias aos poucos.
O teu sentido de humanidade é grandioso, dando o devido valor às pessoas e mesmo aos animais...
Senhora de um enorme coração, que esconde um verdadeiro tesouro! Que se abre para os eventuais afortunados, que se denominam seus amigos ou entes queridos.
A ti te agradeço por tudo o que fizeste por mim, a ti te agradeço o teu sorriso e boa disposição, mesmo quando o dia corre mal... e acima de tudo... a ti te agradeço a tua verdadeira Amizade!

Muras

sexta-feira, agosto 13, 2004

Uma estrela chamada "Su"!!

Em finais de Abril, rumei a Norte e caminhei ao alto de uma grande montanha sem nada esperar lá encontrar...

O espírito de Aventura fazia-me bem e o puro ar fresco da montanha fazia-me rejuvenescer. Sentia-me bem, e conheci novas gentes e novos lugares, com costumes bem diferentes dos meus conhecidos povos do Sul.
Porém, uma magia pairava no ar e sem dar por isso caí num encantamento...
Ao cair da noite, uma estrela brilhava intensamente, e eu, curioso, a fiquei a contemplar. A estrela tinha um tom verde esmeralda, do mais belo que eu já tinha visto, o seu sorriso era magnífico e a sua simpatia um verdadeiro encanto.
A estrela, curiosa por me conhecer, começou a falar comigo e durante horas estivemos juntos.
O seu nome era "Su" e tinha vindo dos mares do Ocidente em busca de um sítio onde pudesse brilhar intensamente e ficasse reconhecida para sempre!
Ali se tinha colocado fazia uns anos, no entanto, mostrava-se confiante em busca da perfeição e do local ideal onde pudesse ficar para sempre.
Um dia...tive de partir! mas pedi à estrela que me seguisse para continuarmos a falar sobre todos os temas do mundo!
Durante um mês, todos os dias falávamos horas e sentiamos mesmo a falta um do outro, assim que o sol nascia até ao cair da noite...
Como tudo tem um destino, e nem todas as coisas correm bem...um dia, a minha estrela desapareceu e nunca mais veio falar comigo.
Desde então, que sinto falta da "Su", da sua companhia, da sua compreensão e acima de tudo do facto de não poder apreciar a sua beleza de novo!

Muras

quinta-feira, agosto 12, 2004

SONHOS NEGROS...

Quem és tu? Horrível monstro que jaz à minha frente!
Nestas noites escuras e por vezes pluviosas, onde qualquer som ecôa pelo campo fora, sempre te mostraste passivo e inexpressivo. Mantém-te assim e bem longe de mim, sua reles criatura!
Nas manhãs onde o chilrear dos pássaros incomoda o meu sono, tens sempre que conseguir superar os reles bichos mostrando o pior que há em ti!
Estou farto do teu rugir mal humorado e escusas de gritar como uma ave depenada para quereres mostrar a tua autoridade. Não preciso de ti para nada e muito menos necessito a tua existência, aliás, já morrias!
Ao cair da noite, os quinze famosos corpos reviram-se em seus túmulos porque a tua mera existência consegue agoniar a própria morte. Nisto, todos te observam... para contemplar a tua estupidez natural acrescida de uma agressividade imanente que te torna num ser imaturo e ríspido.
"Vade retrum" e segue a tua vida insignificante e dependente da couraça leprosa de quem te sustenta. E vê se a tua palavra tem o mínimo de honra, em vez de te tornares uma lapa sanguessuga de todo e qualquer ser humano de quem te podes aproveitar.
A tua fama melancólica enoja-me, a tua presença revira-me as tripas. Vives e aprecias a podridão e não sabes reparar na tua própria consumação!
Pira-te daqui, reles ser imundo!
Caminha até ao outro lado do mundo e permanece por lá para sempre!

Muras